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quinta-feira, 8 de março de 2018

MULHER BRASILEIRA

Dandara mulher de ação
na luta travada ali
no tempo da escravidão
viveu pra amar zumbi.
deu na miséria rasteira
com a sua capoeira
morreu pra libertação.

Foi Tarsila de Amaral
pintando nosso Brasil
na arte moderna viu
o bem transcender o mal.
os traços acorrentados
de um povo tão aviltado
seu pincel recoloriu.

No rádio e televisão
Carmen Miranda cantou
precursora no sonhar.
viu sua voz transformar .
o mundo se deleitou.
Elis veio ressoar
o festival da canção
na garganta o coração
no peito sobras de ar.

irmã Dulce anjo do bem
na sua alma retém
todos os grandes valores.
nas obras de caridade
viveu pra eternidade
adoçando os dissabores.

Chiquinha Gonzaga canta
na corte sua opereta.
compôs com sua faceta
a canção mais solitária
irreverente e lendária
maestrina anticareta.

princesa Isabel atora
de uma tal libertação .
na lei áurea redentora
trouxe ao povo comoção .
libertou a escravatura
em parte pela candura
em outra pela razão.

Olga Benário chegou
ao Brasil ressurgente.
amou o prestes tenente
nosso pais transformou.
pintando Anita Malfatti
traduziu em sua arte
a cor revolucionou.

Cora coralina conta
poetisa e ilumina
o mais árido sertão .
Maria da Penha atina
que sofreu desde menina
luta contra a opressão
dessa alma feminina.

Gilberto Felinto.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O TEMPO EM REVOADA

Brinque na chuva
a tempestade pode não passar...
seja mão e  luva
a reta e a curva
o céu e o lar.

Todas as ruas
e caminhos
você pode estar...
num beco num sonho
 num querer medonho
se reescrever.
na lua gemendo sua
luz remoendo
para amanhecer.

O tempo em revoada
a desaperceber
já fez sua morada de amor morrer.
Saudade enamorada
não quer esquecer
do tempo jovial dançando tão traquino-
menino sem cabresto-
em desatino
virou pelo avesso o seu destino

 Derrape na curva
a sanidade pode não sanar.
sua ação e aceno
ao mundo pequeno
pra recomeçar.

todos as luas
nos caminhos
vão te iluminar
é um foco é uma febre...
 é  um santo sumiço...
uma rua crescendo
que vai se retorcendo
e faz rebuliço.

O tempo em revoada
a desaperceber
já fez sua morada de amor morrer.
Saudade enamorada
não quer esquecer
do tempo jovial dançando tão traquino...
menino sem cabresto
em desatino...
virou pelo avesso o seu
destino.

Gilberto Felinto.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

APENAS IR ME


Quero ir me apenas...
partir em qualquer direção
sem a certeza do sim
ou a aspereza do não.

quero ir me apenas
sem solene despedida...
na incerta e desmedida
emoção...
de quem perdeu ganhou
e bateu levou na vida.

quero ir me apenas...
sem trancar o portão
nem abrir a ferida.
sem limpar o porão
sem retorno e acolhida.
sem pássaro na mão
sou a ave abatida.

quero ir e voltar
como água do mar
a enchente a vazante
o nascente e o poente...
quero seguir em frente
até me encontrar.

Gilberto Felinto.




sábado, 25 de novembro de 2017

TEMPO DE ÁGUAS



Uma poça -
Tempo de águas-
Que tenaz escorrem.
Ócio maré margem léu
Beira me brecha de céu
 dormem nublam
Sangram chovem.

O cimo fenda clareira
O chão condão veste esteira
Que insta perenemente.
Vaga me eira sem Beira
Cai conto canto e ladeira
Perene rio sigo enchente.

Gilberto Felinto.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

TOCANDO COM MINHA BANDA...VELHOS E TAIS

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

FILOSOPOESIA

Arme-se ou se indigne!
"lutar com a palavra é a luta mais vã"

Não cultuo cinzas da dor que me erodiu
preservo o fogo nas palavras
sem ilusões e abracadabras
Minha frugal ferramenta é o sonhar
na luta vã é a poesia a quem recorro
nela que nasço me refaço vivo e morro
me estremece me revela e me apura
é pecadilho eventual minha aventura
minha homeopatia,é a dor e a cura,
é meu legítimo pedido de socorro
se hoje a dor do dia o interpela
e no caminho o temporal o estarrece
o que espezinha sua exausta anatomia
pode impelir sua real filosofia
o corpo pena mas no fundo a alma cresce
Prefiro a estranheza ao velho mito
no meu espanto verso e vivo em forte grito
e no assombro se renova minha estreia
deixo pra trás o cemitério dos jargões
para aprender a cada dia mais lições
quero viver cada momento uma odisseia.

                                                   Gilberto Felinto

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

AMOR MAR DE MISTÉRIOS


Nesse biombo cerrado da ilusão
recolho as pétalas de sombra
que me sobram

retomo o dia em busca de um instante solar
sem intempestiva paixão
só ressonância de adeus
uníssona à dor

entre brumas de silêncio
dissimula-se a perda

sem o olhar luminoso do sol
 a cor é rude penumbra de nós
 equivocada cor me deu retinas do sonhar
veredas abertas e avessas aos pés

o mar é mistérios
nós ondas em febre que veleja
águas breves de espumas
e outras tantas que sangram o arrebol
mas todas anoitecem águas
paradas e frias
e silenciosas
e salgadas
e sós.

        Gilberto Felinto